Attraversiamo

 Gostaria de dizer o que eu sinto, mas não há com quem

Isso é sobre alguém que sente demais, que gosta demais 

É sobre alguém que idealiza e sonha mais do que vê a realidade.


Eu desejei por tanto tempo sair daqui

Eu desejei por tanto tempo ter alguém que cuidasse de mim da maneira que eu considerava a certa

E eu sempre erro nas pessoas que procuro.

E quando acerto, nas melhores companhias, a vida faz por onde se afastar

Isso me magoa tanto. Faz parte da vida - pensei - , aceitei.

Mas não estar com eles me faz tanta falta às vezes. O afastamento me magoa. 

Eu não quero me sentir dependente. Eu luto há tanto tempo pra não ser dependente.


Eu tento tanto, mas parece que às vezes querem que eu seja algo que não sou - Não fale, não diga, não seja impulsiva, não se defenda, não fique apegada demais -, estou eu sempre apostando nas pessoas erradas?

Ou estou esperando demais de quem pouco tem a oferecer? 

Sei que posso ficar brava - e às vezes com razão - , e que nem sempre mantenho a calma quando sinto coisas acumuladas. 


Mas por que insistes em me tratar assim? 

Por que insistes em não ser direto e verdadeiro?

Por que as coisas não são mais simples?


Demonstrar meus sentimentos de forma onírica sempre foi uma dificuldade.


Se reconhecer, e ver que às vezes as coisas não começaram agora

As coisas não vêm do nada.

Elas já podem ter criado raízes em você há muito tempo.

Lamento, choro, ignoro, desejo

Sigo em frente como quem luta pela própria vida.

Estou lutando pela minha própria vida.

Quero um afeto que me ignora, me rasga, me afeta

Um terrível afeto. 

Os piores afetos.

Reconheço a partir destes, porém, os que fazem bem, os que nutrem, os que me fazem entrar em devaneio.


Sentir a brisa de uma árvore no fim da tarde e ver as nuvens protegida do mormaço do sol, algo que sempre me salva dos piores momentos, algo que sempre é bom independente de onde eu esteja.

São as mesmas desde quando era pequena.


E eu clamaria por ser salva, clamaria como aquela menina que observava as nuvens sob o sol, eu pediria o amor como ela pediria.

Eu sentiria tanto. E cresceria tanto. E aprenderia tanto. E teria que ser tão forte.


Ela se mantém - ainda se deleita com a brisa e as árvores, e as nuvens de uma tarde de primavera, ainda sonha com a paz e a união de todos os seres, ainda viaja em uma sessão de cinema e ainda é animada, impulsiva, interessada -  , porém crescida.

Ela aceitou que é completa. Que é mais do que um desejo.

Somos todos mais que um simples desejo.


Ela escreve versos como quem chora.


E eu peço ao vento e a o mar que me levem daqui, como sempre pedi, e eu espero, mesmo com a aceitação, mesmo com a beleza.

Eu faço, eu me levanto. 

Eu acredito.

Eu vou, todos os dias

Mas tenho medo

De que apenas continue me sentindo da mesma forma

É necessário força, mesmo que não seja física

Pra que se alcance o que tanto almeja.


E ela clama, mas não por salvação, nem por cuidado, nem por príncipes que a salvarão do feitiço

Ela clama por liberdade 

Clama por felicidade 

E clama pela vida

Clama por viver.


E no fim o meu desejo não bate com a falta, não bate com a mágoa.

Mas com a coragem que eu sempre tive.

Com a vontade que pulsa nas minhas veias.

Com a vida que eu sempre acredito.

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