Dor imaginária

 Dor imaginária

Incômodo imaginário 

Não é meu, não me pertence


Perdi dois por um

Sem nem a sombra da desconfiança

Mas mesmo assim se foi perdido


Troco o dia pela noite

Durmo em turnos - sono quebrado , rotina quebrada

O total espelho da falta de normalidade


É uma dor que não tenho o direito de sentir

Estou descontando a dor de tudo em uma só

É uma dor que não me permiti sentir


O desgosto não é nenhum, além do auto engano e do cansaço

Cansaço de lidar com quem não quer ser lidado

Cansaço de esperar que o outro melhore quando esse não o quer


Cansaço, de sentir que estou sozinha

A dor imaginária por algo que mal vivi

E a lembrança de algo que nem é o seu rosto


Estive mesmo sozinha esse tempo todo?

Eu vivi na minha mente o que queria que ao menos me abraçasse quando tudo desse errado

Mas eu não pude nem ao menos sentir.


Aceito as coisas como são

Não vou cair ao desespero

Tudo tem sem tempo e nem é tão bom assim, ele me falou - mas não é uma questão de ser bom ou ruim


Mas de viver, e querer viver

Minha hora está chegando, e me arrepio dos pés a cabeça

É meu esforço final.


20,19, 2 meses, 1 semana.

Agora que finalmente estou perto não quero mais chegar


Me diga: qual sentido de insistir em algo que só me trás sofrimento?

E qual o sentido de desistir de algo que eu sempre quis?

Esse é o medo mais válido que eu já senti.


Seja eu uma puritana mocinha romântica

Ou a maior vadia da cidade

Isso pouco importa - eu quero dizer - a liberdade é importante pra mim, e a minha liberdade é moldada por mim mesma.

A sua também é.

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