Atravesso

 Como um relance de fundo de deck

A conclusão final esteve no mais óbvio que se pudesse ser

Você, perdido e vazio, uma sombra do que poderia ser

O óbvio, batendo na minha porta como sempre faz

O ABC da vida que meu amigo me trás 


Amigo, cupincha, parceiro

Condeno por algo onde não se é o verdadeiro culpado

Condeno pela incapacidade do outro de ver o próprio erro

Me lembra de não perder mais o tempo perante egoicos

Que não só mentem, como acreditam na própria mentira


Justiça feita pelas próprias mãos

E fazer o certo nem sempre é leve como dizem

Mas, é melhor do que , de fato, não fazer porra nenhuma

Sei que, de fato, agora eu te feri mais profundamente do que no dia que fui embora

E sei que, talvez, você nunca mude, como me diziam.


Apostei em "cães perdedores" como dizia a Mitski, e esperei demais de algo que era fadado ao fracasso

Eu sabia que perderíamos e paguei pelo meu lado, ao lado do ringue

E agora olho nos seus olhos de quem foi derrubado


Esperei melhoras de alguém que não tem nada melhor a oferecer

Nada melhor a ser

Nada melhor a dizer

E nenhuma capacidade de reconhecer


Tudo que me foi oferecido foi uma taça vazia

Vazia, com um fundo de pura desistência da própria vida

Com a desistência de quem achava que daquele jeito seria o mais fácil

Mas que provavelmente já descobriu que não foi


Quando se é tão certo

Por que procurar me substituir pela versão mais idêntica que você encontrar?


Será que seus erros vão sumir junto comigo?

Eu me pergunto, por quanto tempo

O ego mentirá pra si mesmo, e você ainda vai acreditar

Na mentira que você mesmo criou

E na eterna vilã que vocês inventaram


Essa vilã, que é tão detalhadamente procurada 

Com outro rosto e outra voz

Essa que, dessa vez, você quer acreditar que não vai trazer sua malevolência a tona de novo

Mas que você sabe

Isso estará com você.






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